A paternidade segundo os desígnios de Deus

A paternidade segundo os desígnios de Deus

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Blog - Clube de Leitura
- 29/08/2020 19:54:48

“Pai” uma das primeiras palavras balbuciadas pelos lábios do bebê, o primeiro dos frutos, por assim dizer, da preciosa graça da fala nos dado por Deus nosso Pai, e em honra também do pai terreno, ao qual devemos o existir e o falar.

 

 Vemos em todas as épocas a paternidade ser exaltada, principalmente pela figura paternal do nosso Criador, nosso Pai.  No antigo testamento podemos observar como os patriarcas honravam a prerrogativa da paternidade sendo grandes chefes que conduziam o povo eleito à terra prometida onde manava pão e mel, uma grande analogia ao alimento natural e sobrenatural que o pai de família garante ao seus.

 

Já no novo testamento vemos muitos exemplos de paternidade belíssimos, mas São José, aquele que foi escolhido para ser pai adotivo de Nosso Senhor Jesus Cristo, se tornou o maior ideal de homem e daquele que cumpriu perfeitamente a sua missão como esposo e pai. Quão grande na fé, na caridade e na esperança foi esse homem! Este homem tão virtuoso e santo que não satisfeito em ter o Filho de Deus como filho, quis adotar toda a humanidade sob a sua proteção paternal.

 

“Quando o pai cristão, pelo mistério de Deus, torna-se o princípio da existência de outras pessoas, ele compartilha, com o grande Criador e Pai de todas as coisas, da mais nobre das prerrogativas que uma criatura pode receber, a paternidade. O pai assume de fato a posição de Deus, e exerce sobre seus filhos uma autoridade que somente a Ele deve contas. Em retribuição, com justiça ele exige, e por instinto recebe respeito e honra próximas às do próprio Deus. Com uma reverência inata, e com a confiança que se tem a um confidente, o filho admira o pai como aquele que contém todo o poder, todo o conhecimento, toda a perfeição. E verdadeiramente grandes serão, então, as responsabilidades do pai, e santíssimos os seus deveres, que lhe impõem a natureza e o Senhor. Com muito esforço, ele deve tentar realizar o ideal da criança e colocar-se na pessoa d’Aquele a quem representa neste mundo. É um fato misterioso, mas inegável, que as crianças sejam deixadas inteiramente nas mãos, e assim podemos dizer, à mercê dos pais que as geraram, para sua vida, para sua constituição física, para a base de seu caráter e de sua educação moral.”

 

Quantos vivem como filhos pródigos se perdendo entre os devaneios do mundo? E depois de buscar as honras, as riquezas e viver como animais entretidos com os prazeres da carne, se deparam com o vazio, a solidão e a tristeza que é própria dos filhos desse século. Enquanto Deus, nosso Pai, nos chama a viver o amor, a resignação de sua santa vontade para enfim encontrar a felicidade eterna, ao Seu lado.

 

Qual dos dois senhores serviremos? Ao mundo ou ao estandarte da Santa Cruz?

 

É designada ao pai uma alta dignidade, para aquele que é mestre de vida, chefe de seu lar, exemplo de homem e cristão para a família e toda a sociedade. Por isso os homens devem refletir seriamente sobre essa missão tão grande de guiar uma família, pois serão os principais responsáveis pela felicidade familiar ou a sua desgraça. O pai guiará a sua família para o céu ou para o inferno. O homem é a figura central da família e possui a maior autoridade, pois é aquele que mais serve, que mais se doa, que eleva os seus inferiores e possui justiça no seu julgamento.

 

Para se preparar para essa tarefa tão importante, que é guiar e educar almas, o homem deve compreender que a paternidade verdadeira começa a partir do momento em que ele, num ato livre e consciente, aceita todas as consequências de sua procriadora. Entre essas consequências figura em primeiro lugar a solicitude e amor pela jovem mãe, já na época da gravidez. Muitos padres, em comum acordo, em seus escritos expõem essa necessidade do homem compartilhar do fardo dessa fase com sua esposa, pois caso contrário ela ficará abandonada por si mesma, e isso é um revoltante cinismo. Na paternidade, semelhante atitude é sempre culpável e reprovável. Pois ao aceitar que sua esposa se torne mãe, o homem assume todos os encargos de pai. Por essa razão não pode ser desculpável a sua irresponsabilidade.

 

Então o dever do pai além de cuidar da existência dos seus e garantir tudo o necessário para a sobrevivência de sua família, é exercer sua função paternal com grande amabilidade, atenção e generosidade com a esposa nesse momento da gravidez, a fazendo feliz e buscando fazê-la permanecer neste estado de alegria. Pois, como já dito por muitos santos padres, quem poderá algum dia medir as consequências de semelhante atitude do pai na constituição dos filhos? Quando o pai é atento, amoroso e solícito, o bebê recebe a vida da mãe comungando, por seu próprio sangue e carne, a sua felicidade. Nascer nesse clima feliz já não é o começo da felicidade?

 

Se no oposto, o filho é gerado por uma esposa infeliz, desamparada e negligenciada, será uma desgraça. Pois através de sua mãe receberá sua amargura, sua revolta, sua tristeza.... E qual caminho se desejaria seguir? Do cumprimento de seus deveres com aquela que o esposo tornou mãe ou da infelicidade instaurada no lar antes mesmo do nascimento do filho ainda desconhecido? Tenha a esposa ao menos, nesse fase de pesadíssimo sacrifício e abnegação de si mesma que a maternidade impõe, a felicidade de se sentir amada em dobro e seu fardo compartilhado por um homem que exerceu sua paternidade. Pois isso é próprio do homem que possui senso de responsabilidade e justiça de suas obrigações.

 

 

Além disso, será dever do pai acompanhar sua amada nas horas dolorosas do parto, dar o conforto de sua presença, a segurança e força que a mulher tanto necessita e anseia. O amor, o respeito e admiração do casal aumentam ainda mais numa atmosfera de comunhão íntima com a dor desse momento tão importante, e que buscam estar sempre unidos a Nosso Senhor. Que lar feliz e santo é este, aquele tão semelhante ao da Sagrada Família.

Se o filho necessita desse clima mútuo de amor para nascer, também precisa para viver. E a presença paterna faz total diferença para que haja uma educação completa e equilibrada, pois da mesma forma que o bebê precisou, biologicamente, do pai e da mãe para vir ao mundo, da mesma forma necessita de ambos (que são insuficientes sozinhos) para crescer e viver.

 

Durante a infância a criança observará muito o amor manifestado pelo pai por sua mãe, do que qualquer outra atitude. Não assegurar este clima de amor será uma falta grave ao primeiro dever como pai. E, o mais importante, o pai deve infundir no seu lar a educação religiosa junto com a mãe, a vivência nas virtudes e a busca pela santidade. Esses princípios devem estar muito evidentes aos filhos desde a mais tenra idade.

“Naturalmente, o pai cristão incentivará os costumes cristãos, concederá um tom moral e infundirá um espírito religioso à sua família. E sendo a família a base da sociedade, devemos fazer dos pais verdadeiros cristãos, se é nosso desejo reformar a sociedade, cristianizar a terra, ou formar a moral das pessoas. Como pode a Cristandade florescer, como pode a virtude, pública ou particular, prevalecer, como pode haver moral entre as pessoas, se os pais, que têm o molde das futuras gerações, a educação e a criação dos filhos, quase somente em suas mãos, são homens sem princípios ou imorais, anticristãos, irreligiosos ou depravados? Mas dai-nos pais cristãos, e em pouco tempo, teremos famílias bem educadas, e lares felizes e virtuosos.”

 

 

É o pai cristão que com habilidade de um chefe, de um homem justo ensinará o seu filho a julgar as coisas e os homens, a conformar-se à Verdade e a marchar virilmente em direção a Deus.  Será o pai que ajudará o seu filho a construir uma alma de quilate superior, um sólido senso moral e reto julgamento. Por fim, desenvolverá em seu amado filho a capacidade de ser feliz, no cumprimento dos seus deveres e na aceitação da vontade de Deus.

 

 

“Ao pai, como cabeça da família, revestido de poderes semelhantes a Deus e de atribuições divinas, é dado exercer uma influência de controle: ele forma o destino e molda o caráter de sua descendência. E como regra geral, os filhos são aquilo que deles o pai faz. Tal pai, tal filho. Mas o pai não transmite à sua descendência uma grande semelhança consigo somente em termos de comportamento, aparência, temperamento, constituição física e disposições naturais. Mais ainda, comunica inconscientemente a ela sua maneira de pensar, seus gostos, seus sentimentos religiosos e princípios morais, que lhe são próprios. E enquanto os filhos, passados os anos, recordaram-se de seu exemplo, de suas ações e de suas palavras, é através deles que irão dirigir e orientar o próprio comportamento e as próprias vidas.”

 

Senhor, dai-nos famílias católicas.

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