A santidade no século XXI

A santidade no século XXI

Postado em:
Blog -
- 11/07/2020 18:21:27

É comum, entre nós católicos, que a dúvida da possibilidade de alcançar a perfeição e santidade paire sobre nossas cabeças. Ainda mais se tratando de um século tão corrompido, hedonista, paganizado e tantas outras corrupções que nos causam devaneios, que nos confundem, entristecem e arrancam a nossa esperança como um ladrão perverso e malicioso.

 Então tudo parece tão distante, abstrato, impossível, e, muitas vezes loucura. Será que falamos sobre isso o suficiente? Será que essa busca tem sido o centro de nossa vida e dos nossos ideais? Será que Cristo reina em nossos pobres corações? Em nossa família? Ó céus... Que triste saber que a resposta da grande parte será um alarmante “Não, não, não e não”.

Diante de todos esses sentimentos, dessas tentações ao desânimo, à tibieza e demais vícios que o demônio nos escraviza com facilidade nesta época, devemos como bons católicos empunhar as armas espirituais, com a graça de Deus. Ora, onde está a nossa alegria em viver em tempos tão horríveis e ainda assim conservar as virtudes e a graça? A verdadeira alegria está em Cristo, fora dele há loucura, há tristeza e desespero. Quantos santos, de outras épocas, gostariam de estar em nossos lugares e sofrerem os devaneios modernos? Muitos deles desejariam travar uma batalha espiritual com o demônio e resgatar quantas almas fosse possível nesse século.

Olhamos para o mundo, as mulheres totalmente corrompidas, entregam a sua carne tanto pela nudez, quanto pelos prazeres da carne, expõem-se de forma que a sua personalidade é oculta, tornam-se objeto. Ao mesmo tempo que se orgulham dessa desordem, entristecem-se rapidamente, como os rituais pagãos em que eles se alimentam até não aguentar, vomitam e voltam a comer, assim são as mulheres e homens que estão entre os prazeres da carne.

 O prazer mundano é dessa forma, algo momentâneo, nos traz uma alegria enganosa, irreal, e em seguida uma tristeza profunda, e voltamos a devorá-lo, num ciclo abominável, pior que animais. Por essa razão a nossa geração sofre tanto com doenças psicológicas e emocionais, depressão, ansiedade etc. Pois vivemos da loucura do mundo, depois a tristeza de não estarmos seguindo o nosso fim, de não encontrar a felicidade verdadeira nessas buscas e por não enxergar a realidade.

Olhamos aos homens, que lastimável, causa-nos uma tristeza indizível... Aquele gênero escolhido por Deus para nomear os animais e as coisas, que de sua própria costela veio o segundo gênero, a raça superior, forte, racional e social... Quanta decadência. Onde está a masculinidade? Onde está o homem que morreria sem pensar um segundo sequer pela Igreja, pela pátria, pela sua família e os indefesos? Escassos, enfraquecidos, afeminados, egoístas, irresponsáveis, homens de barba com emocional e vida espiritual de um pobre menino que mal alcança o domínio de si mesmo. Lamentável.

A perfeição se alcança pela vivência em nossa vocação e completa conformidade com a vontade divina, evidentemente. A questão é: Como viver a nossa vocação verdadeiramente? (no caso da vocação matrimonial).

 

A mulher vive a sua vocação sendo devotada ao interior, escondida como uma pérola em todos os aspectos, nas suas vestimentas e no seu coração. Ora, assim como a mulher está expondo o seu corpo ao esposo numa relação conjugal casta e aberta à procriação, assim também expõem todo o seu coração e ali encontra segurança, confiança e amores jamais experimentados pelos hedonistas, largados pelos seus vícios e em seus egoísmos, e que não encontram paz de espécie alguma. Quando a mulher expõe as suas preciosas unidades anatômicas – remidas pelo sangue de Cristo – para outros que não seja o seu esposo, perde toda a sua dignidade, é uma despersonalização voluntária. E que lamentável a mulher abandonar toda a sua superioridade, o seu valor altíssimo e comparar-se com um animal irracional. Quando expõe o seu coração para os de fora, não encontra a paz e consolo, e busca em vão a sabedoria. Reinando em seu lar, no coração de seu esposo e de seus filhos, que regozijo... Ali está a alegria que não se esgota, pois a mulher encontrou o caminho da santidade e enfim da felicidade.

O homem, por sua vez, vive a vocação sendo o chefe, aquele que guia e governa. A coluna da família, o amparo dos indefesos e mais fracos, o soldado pronto para o combate físico e espiritual. Firme como uma raiz em suas condutas morais e convicções. Aquele que sacrifica-se diariamente no mundo por sua preciosíssima esposa e filhos em casa que estão no interior e seguro lar, ansiando por vê-lo chegar. Aquele que é intelectual ou mais humilde, dependendo de suas condições, mas por servir a Deus tão bravamente, adquire a sabedoria como acréscimo. 

O homem católico do século XXI é aquele político, advogado, médico, professor, escritor, músico, pintor etc, que ilumina o ambiente que esteja. Que seja uma incógnita para os seus colegas e próximos. “Ora, quem é aquele que é irredutível em sua fé, que cada palavra de sua boca são sinais da sabedoria, da caridade, da fé, da esperança... Sinais de Cristo?”

Quem é aquele que caminha e que leva a Cristo em todos os espaços, em todos os momentos e companhias? Aquele que tem um discernimento e julgamento pontual, justo e caridoso... Que sempre aponta o melhor caminho, a melhor solução? Aquele que se esgota, que se domina, que vigia e nunca é confundido? Aquele é o homem que conserva a graça de Deus e busca a perfeição.

Difícil, meus caros? Espero, em Deus, que possamos meditar e entregar a Cristo todos os nossos segundos de vida, todas as batidas de nosso coração para agradá-Lo, fazer a Sua vontade, amá-Lo e conquistar tantas e tantas almas num mundo de misérias. É possível, é alcançável, mesmo que no passado, ontem ou até mesmo no dia de hoje tivermos ofendido tanto o Seu tão amantíssimo coração, não deixemos o demônio nos prender pelo desânimo e tristeza. Combateremos, e se a nossa fé for verdadeira, se a nossa conversão for real e rasgar o nosso coração de amor a Nosso Senhor, se a nossa esperança for firme, se a nossa caridade for ardente, a santidade está ai.

Deus quis que viéssemos nessa época, sejamos santos nessa época, pois.

 

A vida é tão breve, poucas décadas e estaremos diante do Juízo do Senhor. O que teremos? Uma vida cheia de vícios, conversão falsa, hipocrisia, traições e heresias de toda sorte? Não. Apresentemos ao Justo Juiz as nossas virtudes conquistadas com sacrifício, o nosso combate contra o mundo, o demônio e as más inclinações. Apresentemos os frutos de nossas vocações, os frutos de nossos apostolados, de nossa conduta de vida. Que não tornemos o Sangue inocente em vão, pois a cólera de Deus é pesada e quem não guardar os seus mandamentos perecerá, atormentado e condenado ao desespero para todo o sempre.

Se tomarmos consciência por poucos segundos da grande misericórdia de Deus por estarmos respirando nesse momento,  por termos pisado nessa terra e possuirmos uma alma imortal, e,  que o Criador sonhou conosco desde toda a eternidade, caímos em prantos. Perceba, Ele permitiu que respirasse mais este segundo, mais este e mais este. Toda a glória a Ele, que permite que adormecemos e acordemos todos os dias, sem merecimento nenhum de nossa parte.

Da pacem, Domine, in diebus nostris.

 

 

[A pintura que utilizamos nesta postagem é Angelus, 1857- 1959 de Jean-François Millet.]

Categorias

Fique informado!

+ Posts

A submissão da esposa
A submissão da esposa
Estudo das moças - Parte 2
Estudo das moças - Parte 2
O Estudo das Moças
O Estudo das Moças
Sentimentalismo ou amor?
Sentimentalismo ou amor?
Ladainha ao Preciosíssimo Sangue de Jesus
Ladainha ao Preciosíssimo Sangue de Jesus

Receba novidades por email

E-mail cadastrado com sucesso.